O Menino dos Temperos: a história de Edgar Nolasco, da feira ao empreendedorismo
O empreendedorismo nem sempre começa com um plano de negócios, um investimento estruturado ou uma formação acadêmica.
Em muitos casos, ele nasce da necessidade.
Foi assim com Edgar Nolasco, conhecido em Santo André e em diferentes regiões do ABC paulista como “O Menino dos Temperos”.
Filho de feirantes, Edgar cresceu no meio das bancas, acompanhando de perto a rotina de quem precisava acordar de madrugada, organizar as mercadorias, conquistar os clientes e trabalhar independentemente das dificuldades.
A feira não era apenas o local onde seus pais ganhavam a vida.
Era também o ambiente onde Edgar brincava, observava, aprendia e começava a desenvolver sua habilidade para lidar com pessoas.
Aos 16 anos, porém, a rotina mudou.
Um grave problema renal enfrentado por seu pai obrigou o jovem a assumir responsabilidades para as quais não havia recebido qualquer preparação formal.
Edgar precisou aprender a administrar a banca, atender os clientes, organizar as mercadorias e garantir que a família continuasse trabalhando.
Em uma das situações mais marcantes de sua história, precisou dirigir uma Kombi antiga durante a madrugada, mesmo sem nunca ter conduzido um veículo.
A partir daquele momento, a necessidade transformou-se em experiência.
Com o passar dos anos, Edgar tentou diferentes negócios, cometeu erros, abriu uma loja, criou projetos sociais e percebeu que sua maior oportunidade estava justamente na atividade que sempre fez parte de sua vida.
A entrevista concedida ao podcast Hugo Jordão Entrevista apresenta uma história sobre trabalho, família, coragem, gestão e identidade.
Mais do que vender temperos, Edgar construiu uma marca pessoal baseada no relacionamento com seus clientes.
Quem é Edgar Nolasco?
Edgar Nolasco é um empreendedor e feirante de Santo André, no ABC paulista.
Ele ficou popularmente conhecido como “O Menino dos Temperos”, apelido que surgiu de maneira natural por causa de sua presença nas feiras e do relacionamento construído com os clientes.
Sua história profissional começou ainda durante a infância.
Como seus pais trabalhavam em feiras livres e não tinham com quem deixá-lo, Edgar acompanhava o pai na rotina das bancas.
Enquanto os adultos trabalhavam, ele brincava de bicicleta, jogava bola e circulava pelo ambiente.
Ao mesmo tempo, observava como as vendas aconteciam.
Sem perceber, aprendia sobre atendimento, negociação, organização, confiança e relacionamento com o público.
A feira tornou-se sua primeira escola de empreendedorismo.
A infância de Edgar entre as bancas da feira
Para Edgar, a feira não era apenas um espaço comercial.
Era uma extensão de sua casa.
Ele cresceu cercado por comerciantes, clientes, barracas, mercadorias e pelos sons característicos das ruas durante os dias de feira.
Essa convivência permitiu que ele conhecesse diferentes tipos de pessoas desde muito cedo.
Na feira, o cliente não se relaciona apenas com o produto.
Ele conhece o vendedor, conversa, pede recomendações, compartilha acontecimentos e retorna semanalmente.
A venda possui uma dimensão humana.
Esse contato frequente contribuiu para que Edgar desenvolvesse uma das principais características de sua atuação: a capacidade de atender as pessoas com proximidade.
Antes mesmo de compreender conceitos como experiência do cliente ou fidelização, ele já observava esses princípios na prática.
O problema de saúde do pai mudou sua trajetória
A infância despreocupada chegou ao fim quando Edgar tinha 16 anos.
Seu pai enfrentou um grave problema renal e não conseguiu continuar conduzindo o negócio da mesma forma.
Diante dessa situação, Edgar precisou assumir a liderança da banca de temperos da família.
Ele ainda era muito jovem.
Não havia concluído uma formação profissional, não tinha experiência administrativa e não havia planejado assumir o empreendimento naquele momento.
Entretanto, a família precisava continuar trabalhando.
Edgar não recebeu tempo para se preparar.
A responsabilidade simplesmente chegou.
Esse período marcou sua transição entre a adolescência e a vida adulta.
Enquanto outros jovens de sua idade ainda começavam a definir seus interesses profissionais, ele precisava garantir o funcionamento de um negócio que ajudava a sustentar sua família.
A madrugada em que precisou dirigir uma Kombi sem saber
Uma das histórias mais marcantes narradas por Edgar aconteceu durante esse período.
Para transportar sua mãe e as mercadorias até a feira, ele costumava pagar um amigo que sabia dirigir.
Edgar ainda não havia aprendido a conduzir um veículo.
Em determinada madrugada, porém, o amigo não apareceu.
As mercadorias estavam prontas e a feira não poderia esperar.
Se a família não chegasse ao local, perderia o dia de trabalho e parte dos produtos poderia ser desperdiçada.
Diante daquela situação, Edgar precisou tomar uma decisão.
Ele assumiu o volante de uma Kombi antiga e desgastada, mesmo sem nunca ter dirigido.
Na base da observação, do improviso e da coragem, colocou o veículo em movimento e seguiu para a feira.
A experiência poderia ter terminado de maneira muito diferente.
Entretanto, ela representa uma característica presente em toda a trajetória de Edgar: a disposição para agir mesmo quando ainda não se sente completamente preparado.
Isso não significa ignorar riscos ou dispensar conhecimento.
Significa compreender que determinadas situações não oferecem condições ideais.
Em alguns momentos, a pessoa aprende enquanto enfrenta o problema.
Como nasceu “O Menino dos Temperos”?
O nome “O Menino dos Temperos” não foi criado inicialmente como uma estratégia de marketing.
Ele surgiu do reconhecimento dos próprios clientes.
Edgar era jovem, vendia temperos nas feiras de Santo André e procurava atender as pessoas com respeito, disposição e um sorriso no rosto.
Com o tempo, os clientes começaram a reconhecê-lo mesmo fora da feira.
Ele deixou de ser apenas mais um vendedor.
Tornou-se uma figura conhecida na região.
O apelido acompanhava Edgar em diferentes lugares.
Em uma ocasião, uma segurança de banco o reconheceu e o cumprimentou de maneira calorosa da guarita.
Em outro momento, durante uma abordagem policial em um posto de gasolina, os frentistas intercederam e disseram que ele era “o menino do tempero”.
Até uma atendente de carrinho de cachorro-quente o reconheceu como o vendedor de quem comprava frequentemente.
Esses encontros demonstravam que Edgar havia construído algo maior do que uma banca.
Ele havia criado uma identidade.
O atendimento humanizado como estratégia
Edgar sempre valorizou o atendimento.
Na feira, o produto é importante, mas a relação com o cliente também influencia diretamente a venda.
As pessoas retornam quando se sentem bem recebidas, quando confiam no vendedor e quando percebem que são tratadas com respeito.
Edgar desenvolveu sua reputação por meio de atitudes simples:
receber os clientes com simpatia;
conversar com as pessoas;
explicar como utilizar os temperos;
lembrar dos consumidores frequentes;
manter o respeito durante o atendimento;
demonstrar disposição;
criar proximidade com a comunidade.
Essas atitudes contribuíram para que seu nome circulasse por Santo André.
A marca “O Menino dos Temperos” nasceu antes de qualquer planejamento visual ou estratégia digital.
Ela surgiu da experiência entregue pessoalmente aos clientes.
Marca pessoal não começa nas redes sociais
A história de Edgar ajuda a compreender que uma marca pessoal não depende inicialmente da internet.
Ela é formada pela percepção que as pessoas constroem sobre alguém.
Essa percepção pode estar relacionada à maneira de trabalhar, atender, comunicar e cumprir compromissos.
Edgar tornou-se reconhecido porque sua presença era constante.
Os clientes sabiam onde encontrá-lo e associavam sua imagem aos temperos e ao atendimento oferecido.
Quando começou a utilizar as redes sociais, já existia uma identidade construída nas ruas.
A internet ampliou algo que havia sido desenvolvido presencialmente.
Esse processo diferencia uma marca baseada apenas em comunicação de uma reputação sustentada por experiência.
O desejo de encontrar novas oportunidades
Mesmo possuindo experiência com temperos, Edgar não se limitou imediatamente à atividade da família.
Como muitos jovens empreendedores, ele possuía várias ideias e desejava experimentar diferentes possibilidades.
A vontade de empreender fez com que tentasse negócios paralelos.
Nem todos funcionaram.
Entretanto, cada tentativa ajudou Edgar a compreender melhor o comércio e também seus próprios limites.
Essas experiências demonstram que o caminho empreendedor raramente é completamente linear.
Uma pessoa pode testar diferentes produtos, mudar de direção e abandonar projetos até perceber onde consegue gerar mais valor.
A tentativa de vender amendoim nos bares
Em uma de suas iniciativas, Edgar decidiu vender amendoim torrado.
A ideia era distribuir o produto em bares da região por meio de consignação.
Os estabelecimentos receberiam os amendoins e realizariam o pagamento conforme as vendas.
Em teoria, o modelo parecia simples.
Na prática, Edgar encontrou dificuldades.
Ele não possuía um automóvel próprio, o que tornava a distribuição mais complicada.
Também percebeu que as vendas iniciais não aconteciam com a velocidade esperada.
O trabalho necessário para transportar, organizar, acompanhar e receber os valores era maior do que havia imaginado.
Diante das dificuldades, Edgar desanimou e interrompeu o projeto.
A tentativa não se transformou em um grande negócio.
Ainda assim, ofereceu um aprendizado importante.
Uma boa ideia precisa considerar a operação.
Não basta existir demanda potencial.
É necessário avaliar transporte, distribuição, margem, tempo, cobrança e capacidade de manter o negócio funcionando.
A experiência na padaria do tio
Edgar também trabalhou informalmente na padaria de um tio.
Seu objetivo era aprender sobre panificação e confeitaria.
Ele enxergava oportunidades naquele setor.
Cogitou comprar farinha de trigo no atacado para fornecer a outras padarias e também considerou produzir bolos para vender nas feiras.
A experiência demonstrava sua curiosidade comercial.
Edgar observava os produtos, os fornecedores e os processos em busca de possibilidades.
Ele não desejava apenas executar uma função.
Tentava compreender como transformar aquele conhecimento em um negócio.
Entretanto, essas ideias também não se tornaram sua principal atividade.
A sucessão de tentativas fez com que ele começasse a refletir sobre o que realmente possuía.
A pergunta que mudou a visão de Edgar
Depois de testar diferentes possibilidades, Edgar fez uma pergunta decisiva:
“Eu tento tanta coisa, por que não foco no tempero, que já está em minhas mãos, e viro a referência do setor?”
Essa reflexão modificou sua trajetória.
Até aquele momento, Edgar procurava oportunidades em atividades que ainda precisava aprender, estruturar e conquistar.
Enquanto isso, já possuía experiência, clientes, fornecedores e reconhecimento no mercado de temperos.
Seu principal ativo estava sendo tratado como algo comum por fazer parte de sua vida desde a infância.
Isso acontece com muitos empreendedores.
A familiaridade pode fazer com que uma habilidade valiosa pareça simples demais.
A pessoa busca oportunidades distantes enquanto ignora o conhecimento que já desenvolveu.
Edgar percebeu que poderia deixar de ser apenas um vendedor de temperos e tornar-se uma referência.
Foco não significa falta de ambição
Ao decidir concentrar seus esforços nos temperos, Edgar não abandonou o desejo de crescer.
Ele apenas direcionou sua ambição para uma atividade na qual já possuía vantagens.
O foco permitiu que observasse o negócio com mais profundidade.
Em vez de procurar constantemente uma nova ideia, começou a pensar em como melhorar:
os produtos;
os custos;
a variedade;
a apresentação;
o atendimento;
os fornecedores;
a margem;
os canais de venda;
o reconhecimento da marca.
A mudança não estava apenas no produto.
Estava na forma de enxergar o próprio negócio.
A fabricação do próprio chimichurri
Uma das decisões mais importantes de Edgar foi analisar o custo do chimichurri vendido na banca.
Ele comprava a mistura pronta de fornecedores.
Ao observar a composição, percebeu que poderia adquirir separadamente ingredientes como:
alho;
cebola;
salsa;
orégano;
tomate desidratado.
Depois, poderia desenvolver sua própria mistura.
O custo dos ingredientes separados era consideravelmente menor do que o valor pago pelo produto pronto.
Ao começar a fabricar o chimichurri, Edgar reduziu os gastos e aumentou sua margem.
Além disso, passou a controlar melhor a composição e a qualidade da mistura oferecida aos clientes.
Essa iniciativa representa um princípio importante de gestão.
O empreendedor precisa conhecer detalhadamente aquilo que compra e vende.
Ao decompor o produto, Edgar identificou uma oportunidade que estava escondida dentro da própria operação.
Como a fabricação própria reduz custos?
Quando um comerciante compra um produto pronto, paga não apenas pelos ingredientes.
O preço também pode incluir:
fabricação;
embalagem;
mão de obra;
transporte;
armazenamento;
margem do produtor;
margem do distribuidor;
custos administrativos.
Ao assumir parte desse processo, o empreendedor pode reduzir o custo por unidade.
Entretanto, essa escolha também exige responsabilidade.
É necessário manter padrão, qualidade, armazenamento adequado e controle das proporções.
No caso de Edgar, a experiência com os produtos ajudou a estruturar a mistura.
A fabricação própria não surgiu apenas como uma ideia de redução de preço.
Ela nasceu do conhecimento adquirido durante anos de trabalho.
A busca por temperos diferentes
Edgar também percebeu que não deveria competir apenas com os mesmos produtos encontrados em qualquer banca.
Para se diferenciar, começou a buscar novas opções.
Ele passou a frequentar o Mercadão de São Paulo em busca de temperos diferentes, incluindo produtos relacionados à culinária árabe.
A estratégia ampliava a variedade da banca e despertava a curiosidade dos clientes.
Em vez de oferecer apenas os produtos mais conhecidos, Edgar conseguia apresentar novidades e explicar como poderiam ser utilizadas.
Essa abordagem fortalecia seu posicionamento como especialista.
O cliente não encontrava apenas um vendedor.
Encontrava alguém capaz de apresentar produtos, compartilhar informações e oferecer novas possibilidades para a cozinha.
Diferenciação não depende apenas de preço
Negócios populares frequentemente enfrentam uma forte disputa por preço.
Quando vários comerciantes vendem produtos semelhantes, a redução de valores pode parecer a única maneira de conquistar clientes.
Entretanto, essa competição possui limites.
Diminuir continuamente a margem pode comprometer a sustentabilidade da operação.
Edgar buscou outros caminhos para se diferenciar:
variedade;
produtos menos comuns;
misturas próprias;
conhecimento;
atendimento próximo;
reconhecimento pessoal;
relacionamento com a comunidade.
Esses elementos tornam a comparação baseada apenas em preço mais difícil.
O cliente passa a considerar a experiência completa.
A abertura do Empório Edgar Nolasco
Depois de consolidar sua atuação nas feiras, Edgar decidiu abrir uma loja física.
Nasceu o Empório Edgar Nolasco, localizado na Vila Luzia, em Santo André.
O ponto escolhido ficava ao lado de uma casa lotérica que formava filas extensas.
A movimentação representava uma oportunidade.
Enquanto aguardavam atendimento, muitas pessoas poderiam observar a loja, conhecer os produtos e realizar compras.
Edgar enxergou potencial naquela localização.
A abertura da loja representava um novo estágio.
Ele deixaria de depender exclusivamente dos dias e horários das feiras e passaria a possuir um ponto fixo.
O empório também permitiria organizar os produtos de outra forma e alcançar consumidores que não frequentavam suas bancas.
Por que Edgar montou a loja em segredo?
O pai de Edgar era experiente e desejava protegê-lo.
Por conhecer as dificuldades do comércio, poderia apresentar diversas razões para que o filho não abrisse o estabelecimento.
Os conselhos não surgiriam por falta de confiança.
Seriam motivados pelo receio de que Edgar enfrentasse prejuízos.
Entretanto, Edgar temia que o excesso de cautela o fizesse desistir.
Por isso, montou a loja sem contar ao pai.
Organizou o espaço e preparou a inauguração em segredo.
Somente depois levou o pai para conhecer o novo empreendimento.
A descoberta sobre o primeiro ponto do pai
Durante a visita, aconteceu um momento emocionalmente marcante.
O pai de Edgar revelou que o primeiro local onde havia vendido temperos durante a juventude ficava exatamente em frente à nova loja.
Edgar não sabia dessa história quando escolheu o ponto.
A coincidência conectava duas gerações.
O lugar onde o filho iniciava uma nova fase ficava diante do ponto em que o pai havia começado sua própria trajetória.
A loja passou a carregar um significado que ultrapassava a oportunidade comercial.
Ela representava continuidade, memória e legado familiar.
O novo agravamento da saúde do pai
Enquanto Edgar desenvolvia seus negócios, a saúde de seu pai voltou a exigir atenção.
Ele perdeu o funcionamento de ambos os rins e enfrentou uma hospitalização de aproximadamente seis meses.
O tratamento e a necessidade de hemodiálise modificaram novamente a rotina da família.
Edgar precisou decidir como distribuir seu tempo.
Havia a feira, o empório, os funcionários, os clientes e a responsabilidade de acompanhar o pai.
Não seria possível estar presente em todos os lugares da mesma maneira.
A situação criou um dilema de gestão e também uma escolha familiar.
Loja física ou feira: onde Edgar deveria concentrar seus esforços?
A loja física apresentava um faturamento maior.
À primeira vista, isso poderia indicar que o empório deveria receber toda a atenção.
Entretanto, faturamento não é o mesmo que lucro.
A loja também possuía custos fixos elevados.
Entre eles estavam:
aluguel de aproximadamente R$ 3 mil;
funcionários;
contador;
impostos;
manutenção do espaço;
despesas operacionais.
A feira funcionava com uma estrutura mais simples.
Mesmo faturando menos, possuía custos menores e representava uma atividade já conhecida pela família.
Edgar decidiu concentrar sua presença nas feiras.
Essa escolha permitia preservar o negócio mais seguro e também oferecer apoio ao pai durante o tratamento.
Faturamento não significa dinheiro disponível
A experiência de Edgar demonstra um erro frequente entre novos empreendedores.
Observar apenas o valor que entra no caixa pode produzir uma percepção incorreta sobre a saúde do negócio.
Uma empresa pode faturar muito e ainda gerar pouco lucro.
Para compreender o resultado real, é necessário descontar:
custos dos produtos;
aluguel;
salários;
tributos;
taxas;
transporte;
manutenção;
perdas;
despesas administrativas;
investimentos.
A loja de Edgar movimentava mais dinheiro, mas também exigia uma estrutura mais cara.
A feira apresentava um modelo mais enxuto.
A decisão precisava considerar não apenas o potencial de vendas, mas também a segurança e a disponibilidade do próprio empreendedor.
“O porco só engorda com os olhos do dono”
Ao priorizar a feira e o tratamento do pai, Edgar deixou terceiros responsáveis pelo empório.
A ausência comprometeu a operação da loja.
Ele utiliza um ditado popular para resumir o aprendizado:
“O porco só engorda com os olhos do dono.”
A frase expressa a importância da presença do empreendedor.
Funcionários podem desempenhar bem suas funções, mas determinadas decisões e percepções dependem de quem conhece profundamente o negócio.
O dono costuma observar:
desperdícios;
comportamento dos clientes;
falhas no atendimento;
organização;
necessidade de reposição;
oportunidades de venda;
problemas de equipe;
mudanças no movimento;
detalhes que afetam a margem.
Quando a operação ainda depende fortemente do fundador, sua ausência pode provocar queda de desempenho.
Todo negócio precisa da presença constante do dono?
A experiência de Edgar não significa que o empreendedor deva permanecer preso à operação para sempre.
Um negócio pode desenvolver processos, lideranças e controles que reduzam sua dependência do fundador.
Entretanto, essa transição exige planejamento.
Não basta contratar alguém e se afastar.
É necessário criar:
funções claras;
padrões de atendimento;
controle financeiro;
gestão de estoque;
metas;
acompanhamento;
treinamento;
indicadores;
responsáveis pela operação.
Quando esses elementos não estão consolidados, a ausência do dono pode deixar um vazio de liderança.
No caso de Edgar, o afastamento não aconteceu porque ele perdeu o interesse na loja.
Foi uma consequência da necessidade de acompanhar o pai e proteger a atividade familiar.
O relacionamento de Edgar com a comunidade
Mesmo buscando crescimento, Edgar não perdeu a ligação com as pessoas que faziam parte de sua rotina.
A convivência na feira havia ensinado que o comércio também pode ser um espaço de relacionamento e solidariedade.
Essa visão levou à criação do projeto Empreendedor Visionário.
A iniciativa procurava ajudar pequenos vendedores de rua que enfrentavam dificuldades.
Edgar utilizava as redes sociais para mobilizar pessoas e arrecadar recursos.
Com o valor obtido, comprava todo o estoque de determinados trabalhadores.
Depois, distribuía os produtos para a comunidade.
Como funcionava o Empreendedor Visionário?
O projeto unia financiamento coletivo, produção de conteúdo e impacto social.
Edgar encontrava pequenos empreendedores, como vendedores de salgados e balas, e conhecia suas histórias.
Em seguida, mobilizava sua audiência para conseguir recursos.
O dinheiro era utilizado para comprar as mercadorias disponíveis.
A ação oferecia ao vendedor um resultado que poderia representar vários dias de trabalho.
Ao mesmo tempo, os produtos eram distribuídos para outras pessoas.
O projeto não se limitava a realizar uma doação.
Ele valorizava o trabalho do pequeno comerciante.
Em vez de apenas entregar dinheiro, Edgar comprava aquilo que a pessoa havia produzido ou estava tentando vender.
A diferença entre ajudar e desvalorizar o trabalho
Ao comprar o estoque, Edgar reconhecia o esforço do vendedor.
A pessoa não era apresentada apenas como alguém em situação de necessidade.
Também era mostrada como trabalhadora e empreendedora.
Esse cuidado modifica a forma como a ajuda é percebida.
O comerciante consegue receber pelo próprio produto e manter sua dignidade profissional.
A ação também dá visibilidade à história e pode atrair novos clientes.
O Empreendedor Visionário refletia a própria origem de Edgar.
Como alguém que cresceu na feira e conhecia as dificuldades do comércio de rua, ele compreendia o valor de um dia de boas vendas.
Os vídeos simples geravam mais engajamento
Durante o projeto, Edgar percebeu algo importante sobre as redes sociais.
Os vídeos mais naturais e simples costumavam gerar mais engajamento do que os conteúdos excessivamente produzidos.
Quando utilizava muitos efeitos, edições e recursos visuais, o material podia perder parte da espontaneidade.
As gravações diretas transmitiam melhor a verdade da situação.
O público conseguia perceber:
a emoção;
a surpresa;
a reação do vendedor;
o contexto real;
a simplicidade do encontro;
o impacto imediato da ação.
Essa experiência mostrou a Edgar que qualidade não significa necessariamente excesso de produção.
Conteúdo natural não significa conteúdo sem propósito
Um vídeo simples pode ser estrategicamente forte.
A ausência de grandes efeitos não significa falta de planejamento.
O principal elemento é a história.
Quando existe uma situação real, personagens verdadeiros e uma transformação clara, o conteúdo possui força própria.
A edição pode ajudar a organizar.
Entretanto, não precisa competir com o acontecimento.
No caso do projeto de Edgar, o público desejava acompanhar o encontro e a reação das pessoas.
Uma produção exagerada poderia fazer a ação parecer encenada ou distante.
A naturalidade aumentava a sensação de proximidade.
A aproximação com a política
A atuação comunitária aproximou Edgar da política de Santo André.
Ele passou a apoiar voluntariamente o vereador Dandan.
Segundo seu relato, o apoio surgiu de maneira genuína, antes de qualquer promessa de cargo.
Edgar acreditava no trabalho realizado e utilizava sua influência local para ajudar.
Posteriormente, tornou-se assessor do vereador.
A trajetória demonstra como a participação comunitária pode abrir caminhos para a atuação política.
Edgar já possuía contato com moradores, comerciantes e trabalhadores da região.
Conhecia problemas locais e mantinha proximidade com diferentes pessoas.
Essa experiência poderia contribuir para o trabalho público.
Influência local não depende de milhões de seguidores
Edgar construiu uma presença relevante em Santo André sem depender inicialmente de uma audiência nacional.
Sua influência estava relacionada ao território.
As pessoas o conheciam das feiras, dos comércios, das ações sociais e das redes sociais.
Esse tipo de reconhecimento pode ser especialmente importante na política municipal.
Em uma cidade, a confiança é construída por meio de encontros frequentes e relações concretas.
Uma pessoa pode possuir poucos seguidores comparada a grandes influenciadores e, ainda assim, exercer forte influência dentro de determinada comunidade.
O alcance é menor.
A proximidade, porém, pode ser muito maior.
A maior riqueza de Edgar
Apesar dos negócios, do reconhecimento e da atuação pública, Edgar afirma que sua maior riqueza são seus filhos, Giulia e Gael.
A paternidade ocupa uma parte importante de sua visão sobre legado.
Ele procura transmitir os mesmos valores que recebeu do pai.
Para Edgar, oferecer tudo aos filhos sem ensinar o valor da conquista poderia privá-los de aprendizados importantes.
Seu objetivo não é apenas proporcionar conforto.
É ajudá-los a compreender esforço, responsabilidade e trabalho.
Uma história envolvendo Giulia representa claramente essa preocupação.
A boneca de R$ 120 e o saco de limões
Quando tinha apenas 6 anos, Giulia pediu ao pai uma boneca que custava R$ 120.
Edgar poderia simplesmente comprar o brinquedo.
Entretanto, decidiu transformar o pedido em uma experiência de aprendizagem.
Ele levou a filha para a feira durante a madrugada.
Com os mesmos R$ 120 que seriam utilizados na boneca, comprou um saco de limões.
Depois, ensinou Giulia a vender os produtos.
A menina participou da rotina da feira e conseguiu vender todo o estoque.
Ao final, recuperou os R$ 120 investidos e ainda obteve aproximadamente R$ 50 de lucro.
Com o resultado, poderia comprar a boneca e compreender como o dinheiro havia sido conquistado.
O que Giulia aprendeu com a experiência?
A atividade ensinou diferentes conceitos de forma prática:
o dinheiro possui origem;
um produto precisa ser comprado antes de ser revendido;
toda venda exige esforço;
o investimento precisa ser recuperado;
faturamento e lucro são valores diferentes;
conversar com clientes faz parte do processo;
uma conquista pode exigir paciência;
o trabalho gera resultados.
Para uma criança de 6 anos, esses conceitos poderiam parecer abstratos se fossem apresentados apenas por meio de explicações.
Na feira, tornaram-se concretos.
Giulia conseguiu visualizar a transformação de um investimento em mercadoria, vendas e lucro.
Educação financeira também acontece na prática
Ensinar educação financeira não significa apenas falar sobre economia.
A criança também pode aprender ao participar de decisões adequadas à sua idade.
A experiência de Giulia mostrou que o desejo de consumo pode ser conectado ao esforço necessário para obter o dinheiro.
Isso não significa que toda criança precise trabalhar para receber qualquer presente.
O objetivo da situação era ensinar o valor da conquista.
Edgar utilizou o ambiente que conhecia para transmitir uma lição familiar.
A feira, que havia educado o pai, também começou a educar a filha.
O legado do pai de Edgar
Grande parte da trajetória de Edgar está ligada ao pai.
Foi por acompanhá-lo nas feiras que conheceu o comércio.
Foi por causa da doença dele que assumiu a banca aos 16 anos.
Foi durante a abertura da loja que descobriu a ligação histórica entre o ponto escolhido e o primeiro local de trabalho do pai.
Posteriormente, a necessidade de acompanhá-lo durante a hemodiálise influenciou as decisões sobre a loja e a feira.
Mesmo após o falecimento do pai, os ensinamentos permaneceram.
Ao educar Giulia e Gael, Edgar procura dar continuidade aos valores recebidos.
O legado não está apenas no negócio de temperos.
Está na maneira de trabalhar, tratar as pessoas e enfrentar responsabilidades.
Empreendedorismo por necessidade e empreendedorismo por escolha
A história de Edgar reúne duas formas de empreendedorismo.
No início, ele empreendeu por necessidade.
Precisava ajudar a família e manter a banca funcionando.
Não havia tempo para construir um planejamento ideal.
Mais tarde, começou a empreender por escolha.
Tentou vender amendoim, trabalhou na padaria, estudou outros produtos, criou as próprias misturas e abriu uma loja.
A necessidade o colocou no comércio.
A experiência despertou o desejo de crescer.
Essa combinação ajudou a formar sua identidade profissional.
A importância de reconhecer aquilo que já está em suas mãos
Uma das principais lições da entrevista está na decisão de Edgar de focar nos temperos.
Durante algum tempo, ele acreditou que a grande oportunidade poderia estar em outro produto.
Testou diferentes caminhos.
Essas experiências foram importantes, mas também revelaram que Edgar já possuía uma base valiosa.
Ele conhecia o setor, tinha clientes e entendia a rotina das feiras.
Ao decidir tornar-se referência naquilo que já fazia, começou a desenvolver o negócio de maneira mais estratégica.
Nem sempre o próximo passo exige abandonar completamente a atividade atual.
Em alguns casos, o crescimento começa quando a pessoa olha com mais atenção para o conhecimento que já acumulou.
Errar rápido não significa agir sem pensar
A trajetória de Edgar pode ser associada à ideia de testar, aprender e corrigir.
Ele tentou negócios que não funcionaram como esperava.
Em vez de permanecer durante anos insistindo em uma operação sem condições adequadas, reconheceu os problemas e mudou de direção.
Entretanto, errar rápido não significa tomar decisões irresponsáveis.
Significa observar a realidade e evitar que o orgulho transforme uma tentativa em um prejuízo permanente.
No negócio de amendoins, por exemplo, Edgar identificou obstáculos logísticos e baixa resposta inicial.
A experiência forneceu informações.
Ele utilizou essas informações para reconsiderar o projeto.
Coragem e planejamento precisam caminhar juntos
A história da Kombi representa coragem.
A fabricação do chimichurri representa análise.
A abertura da loja representa iniciativa.
O dilema entre a feira e o empório representa gestão.
Esses momentos mostram que o empreendedorismo exige diferentes capacidades.
A coragem ajuda a começar.
O planejamento ajuda a continuar.
A análise de custos ajuda a preservar a margem.
O relacionamento ajuda a construir clientes.
A gestão ajuda a transformar esforço em uma operação sustentável.
Uma característica isolada dificilmente sustenta um negócio durante muito tempo.
Principais lições da história de Edgar Nolasco
A entrevista apresenta aprendizados que podem ser aplicados por empreendedores de diferentes setores.
1. Nem todo empreendedor começa preparado
Edgar assumiu a banca aos 16 anos porque sua família precisava dele.
Muitas habilidades foram desenvolvidas durante o trabalho.
2. O relacionamento pode se transformar em marca
“O Menino dos Temperos” nasceu da forma como os clientes reconheciam Edgar.
A reputação foi construída antes da estratégia visual.
3. A melhor oportunidade pode já estar presente
Depois de tentar diferentes negócios, Edgar percebeu que deveria aprofundar sua atuação no setor que já conhecia.
4. Conhecer os custos modifica o resultado
A análise do chimichurri permitiu identificar que a fabricação própria seria mais econômica.
5. Diferenciação não depende apenas de preço
Produtos diferentes, conhecimento e atendimento podem aumentar o valor percebido.
6. Faturamento não é lucro
A loja vendia mais, mas também possuía despesas significativamente maiores do que a feira.
7. O fundador precisa estruturar a operação antes de se afastar
Sem processos e acompanhamento, a ausência do dono pode comprometer o negócio.
8. Conteúdos simples podem transmitir mais verdade
Os vídeos naturais do Empreendedor Visionário geravam mais envolvimento do que produções carregadas de efeitos.
9. A influência local possui grande valor
Edgar construiu reconhecimento por meio da convivência com a comunidade de Santo André.
10. O legado vai além do patrimônio
Os valores transmitidos aos filhos representam uma parte central daquilo que Edgar deseja deixar.
11. O dinheiro pode ser ensinado por meio da experiência
A venda dos limões permitiu que Giulia compreendesse investimento, faturamento e lucro.
12. Começar é melhor do que permanecer paralisado
O conselho final de Edgar reforça que a tentativa produz aprendizado, mesmo quando o resultado não é o esperado.
Perguntas frequentes sobre Edgar Nolasco e O Menino dos Temperos
1. Quem é Edgar Nolasco?
Edgar Nolasco é um empreendedor e feirante de Santo André, conhecido popularmente como “O Menino dos Temperos”.
2. Por que Edgar ficou conhecido como O Menino dos Temperos?
O apelido surgiu entre os clientes por causa de sua atuação nas feiras livres e da proximidade que mantinha com o público.
3. Onde Edgar Nolasco trabalha?
Sua trajetória está ligada às feiras livres de Santo André e do ABC paulista.
4. Edgar é filho de feirantes?
Sim. Edgar cresceu acompanhando os pais nas bancas de feira.
5. Com quantos anos Edgar assumiu o negócio da família?
Ele precisou assumir maiores responsabilidades na banca aos 16 anos.
6. Por que Edgar assumiu a banca tão jovem?
Seu pai enfrentou um grave problema renal e não conseguiu continuar conduzindo o negócio normalmente.
7. Edgar sabia dirigir quando assumiu a Kombi?
Não. Segundo seu relato, ele nunca havia dirigido quando precisou conduzir a Kombi até a feira durante a madrugada.
8. Quais negócios Edgar tentou antes de focar nos temperos?
Entre outras iniciativas, ele tentou vender amendoim torrado em bares e trabalhou em uma padaria para aprender sobre panificação e confeitaria.
9. Por que o negócio de amendoins não avançou?
A falta de um automóvel próprio e as dificuldades nas vendas e na distribuição fizeram com que Edgar desistisse da iniciativa.
10. Qual foi a pergunta que mudou sua trajetória?
Edgar questionou por que tentava tantas atividades diferentes sem focar nos temperos, que já estavam em suas mãos.
11. Edgar fabrica os próprios temperos?
Ele passou a produzir algumas misturas, como o chimichurri, utilizando ingredientes comprados separadamente.
12. Por que Edgar começou a fabricar chimichurri?
Ele percebeu que comprar os ingredientes separadamente e preparar a mistura custava menos do que adquirir o produto pronto.
13. Onde Edgar buscava temperos diferentes?
Ele procurava novidades no Mercadão de São Paulo, incluindo temperos relacionados à culinária árabe.
14. Qual era o nome da loja aberta por Edgar?
A loja recebeu o nome de Empório Edgar Nolasco.
15. Onde ficava o Empório Edgar Nolasco?
O estabelecimento foi aberto na Vila Luzia, em Santo André.
16. Por que Edgar abriu a loja sem contar ao pai?
Ele temia que os conselhos protetores do pai o fizessem desistir antes de tentar.
17. Qual foi a coincidência descoberta na inauguração?
O pai revelou que seu primeiro ponto de venda de temperos ficava exatamente em frente à nova loja.
18. Por que Edgar priorizou a feira mesmo com a loja faturando mais?
A feira possuía custos menores e representava uma operação mais segura enquanto ele acompanhava o tratamento do pai.
19. Quais eram alguns dos custos da loja?
O empório possuía aluguel de aproximadamente R$ 3 mil, funcionários, contador, impostos e outras despesas operacionais.
20. O que significa “o porco só engorda com os olhos do dono”?
O ditado utilizado por Edgar destaca a importância da presença e do acompanhamento do proprietário na administração do negócio.
21. O que foi o projeto Empreendedor Visionário?
Foi uma iniciativa criada para arrecadar recursos, comprar o estoque de pequenos vendedores de rua e distribuir os produtos para a comunidade.
22. Que tipos de vendedores foram ajudados pelo projeto?
As ações envolveram pequenos comerciantes, incluindo vendedores de salgados, balas e outros produtos.
23. Por que os vídeos simples de Edgar geravam mais engajamento?
Porque transmitiam a realidade das histórias com mais naturalidade e proximidade.
24. Como Edgar se aproximou da política?
Sua atuação comunitária o levou a apoiar voluntariamente o vereador Dandan, de Santo André.
25. Qual função política Edgar passou a exercer?
Ele tornou-se assessor do vereador Dandan.
26. Quem são os filhos de Edgar?
Seus filhos se chamam Giulia e Gael.
27. Como Edgar ensinou empreendedorismo à filha?
Quando Giulia pediu uma boneca de R$ 120, ele utilizou o valor para comprar um saco de limões e ensinou a filha a vendê-los na feira.
28. Quanto Giulia conseguiu lucrar?
Depois de recuperar os R$ 120 investidos, ela obteve aproximadamente R$ 50 de lucro.
29. Qual é a principal mensagem da história de Edgar?
A trajetória mostra a importância de começar, aprender com as tentativas, valorizar aquilo que já se possui e manter o relacionamento com as pessoas.
30. Qual foi o conselho final de Edgar?
Seu conselho foi começar, pois considera melhor lidar com o aprendizado de uma tentativa do que carregar o peso de nunca ter agido.
Por que a história de O Menino dos Temperos é importante?
A trajetória de Edgar Nolasco mostra uma forma de empreendedorismo que nem sempre aparece nos livros de negócios.
Ela não começou em uma sala de reuniões.
Começou nas ruas, durante as madrugadas e na rotina das feiras livres.
Edgar não possuía um planejamento estruturado quando precisou assumir a banca.
Tinha 16 anos e enfrentava uma crise familiar.
Aprendeu a trabalhar porque a situação exigia.
Com o tempo, a necessidade foi transformada em experiência.
A experiência gerou reconhecimento.
O reconhecimento tornou-se uma marca.
Essa evolução não aconteceu sem erros.
Edgar tentou vender outros produtos, estudou diferentes atividades e abriu uma loja que enfrentou dificuldades de gestão.
Cada etapa, porém, contribuiu para ampliar sua visão.
O jovem que começou transportando mercadorias em uma Kombi passou a analisar custos, fabricar misturas próprias, buscar diferenciação e pensar sobre posicionamento.
Da sobrevivência à estratégia
No início, o objetivo era manter o negócio funcionando.
A família precisava trabalhar.
As decisões eram tomadas de acordo com a necessidade imediata.
Posteriormente, Edgar começou a pensar estrategicamente.
Ele identificou que o chimichurri pronto possuía um custo elevado e decidiu decompor a mistura.
Percebeu que poderia buscar temperos diferentes no Mercadão de São Paulo.
Entendeu que seu atendimento e sua imagem haviam se transformado em uma marca regional.
A mudança demonstra como um pequeno negócio pode evoluir.
A estrutura pode continuar simples, mas a maneira de pensar torna-se mais sofisticada.
Do apelido à marca
“O Menino dos Temperos” não foi o resultado de uma reunião de branding.
Foi uma identidade criada pelo público.
Os clientes associaram Edgar ao produto, à feira e à forma como eram atendidos.
Quando pessoas de diferentes lugares começaram a reconhecê-lo, ficou evidente que sua reputação havia ultrapassado a banca.
Essa construção oferece uma lição para marcas pessoais.
Não basta escolher um nome.
É necessário repetir uma experiência coerente até que as pessoas desenvolvam uma percepção.
A marca de Edgar foi consolidada por anos de presença.
Do produto ao relacionamento
Temperos podem ser encontrados em diferentes estabelecimentos.
Entretanto, os clientes continuavam procurando Edgar.
O motivo não estava apenas na mercadoria.
Também estava na relação.
Ele conversava, sorria e tratava as pessoas com proximidade.
Em mercados com produtos semelhantes, o relacionamento pode determinar a preferência.
O consumidor recorda como foi atendido.
A experiência modifica o valor atribuído à compra.
Edgar compreendeu esse princípio por meio da convivência diária, antes de conhecer qualquer teoria sobre marketing.
Da tentativa ao foco
As experiências com amendoins, padaria, farinha e bolos poderiam ser vistas apenas como projetos que não deram certo.
Entretanto, elas desempenharam outra função.
Ajudaram Edgar a comparar oportunidades.
Ao explorar outros setores, percebeu o quanto já conhecia sobre temperos.
A tentativa não foi inútil.
Ela tornou o foco mais consciente.
Edgar não permaneceu nos temperos apenas porque havia herdado aquela atividade.
Ele decidiu enxergá-la como uma oportunidade capaz de ser desenvolvida.
Do faturamento à compreensão do lucro
A abertura da loja trouxe uma nova perspectiva sobre gestão.
O empório faturava mais, mas também exigia uma estrutura cara.
A feira, embora menor, possuía custos reduzidos.
Essa comparação ensinou que tamanho não garante resultado.
Um negócio precisa ser analisado pela capacidade de sustentar suas despesas e gerar retorno.
A loja também revelou a dependência da presença do fundador.
Sem Edgar acompanhando a rotina, a operação perdeu força.
O crescimento exige mais do que abrir um novo ponto.
Exige processos, pessoas preparadas e controle.
Da influência para o impacto social
O reconhecimento regional poderia ter sido utilizado apenas para vender mais.
Edgar também decidiu direcioná-lo para ações comunitárias.
O Empreendedor Visionário mobilizou seguidores para apoiar pequenos vendedores.
A iniciativa utilizava uma lógica que Edgar conhecia profundamente.
Para quem trabalha na rua, vender todo o estoque pode representar uma grande mudança na semana.
Ao comprar as mercadorias, o projeto ajudava sem ignorar o trabalho realizado.
Os vídeos divulgavam as histórias e ampliavam o impacto.
Do pai para os filhos
A trajetória de Edgar forma um ciclo entre gerações.
Ele aprendeu na feira acompanhando o pai.
Assumiu responsabilidades por causa da doença dele.
Descobriu que a loja havia sido aberta em frente ao primeiro ponto paterno.
Depois, levou a própria filha para aprender naquele mesmo ambiente.
A feira aparece como lugar de trabalho, memória e formação.
Giulia e Gael representam a continuidade dos valores familiares.
Edgar não deseja transmitir apenas bens materiais.
Ele quer ensinar responsabilidade, esforço e respeito.
O que empreendedores podem aprender com Edgar Nolasco?
A história de Edgar demonstra que um negócio pode crescer a partir de recursos já disponíveis.
Antes de buscar uma ideia completamente nova, o empreendedor pode analisar:
qual conhecimento já possui;
quais problemas sabe resolver;
que público já conhece;
quais produtos domina;
onde já construiu confiança;
que custos pode reduzir;
como pode se diferenciar;
quais experiências podem se transformar em marca.
Também é importante reconhecer que coragem não elimina a necessidade de gestão.
Começar representa apenas uma etapa.
Para continuar, é necessário acompanhar números, processos, pessoas e clientes.
A trajetória de Edgar reúne essas duas dimensões.
Ele teve coragem para agir e aprendeu, muitas vezes por meio dos próprios erros, a pensar estrategicamente.
Conclusão
A entrevista de Edgar Nolasco ao podcast Hugo Jordão Entrevista apresenta a história de um empreendedor formado pela prática.
Filho de feirantes, Edgar cresceu entre as bancas e conheceu desde cedo a rotina do comércio de rua.
Aos 16 anos, o problema renal enfrentado pelo pai mudou sua vida.
Ele precisou assumir a banca da família e lidar com responsabilidades que normalmente chegariam apenas anos depois.
Em uma das primeiras grandes provações, conduziu uma Kombi antiga durante a madrugada mesmo sem nunca ter dirigido.
A necessidade o obrigou a começar.
Com o passar do tempo, Edgar tentou diferentes negócios.
Vendeu amendoim, trabalhou em uma padaria e cogitou atuar com farinha e bolos.
Essas tentativas o levaram a perceber que sua principal oportunidade já estava nos temperos.
Ele conhecia os produtos, os clientes e a rotina.
Faltava tratar aquele conhecimento como uma vantagem.
Ao focar no setor, Edgar começou a analisar os custos.
Percebeu que poderia produzir seu próprio chimichurri comprando separadamente alho, cebola, salsa, orégano e tomate desidratado.
Também buscou temperos diferentes no Mercadão de São Paulo para aumentar a variedade e se diferenciar.
O atendimento próximo fez com que os próprios clientes criassem sua marca.
“O Menino dos Temperos” tornou-se uma identidade reconhecida em Santo André e no ABC paulista.
Edgar era cumprimentado em bancos, postos de gasolina e comércios da região.
As pessoas não reconheciam apenas o produto.
Reconheciam quem estava por trás dele.
A abertura do Empório Edgar Nolasco representou uma tentativa de expansão.
O ponto escolhido, na Vila Luzia, ficava ao lado de uma lotérica movimentada.
Edgar montou a loja sem contar ao pai, temendo que os conselhos protetores o desanimassem.
Durante a inauguração, descobriu que o primeiro ponto onde seu pai havia vendido temperos ficava exatamente em frente ao novo estabelecimento.
A coincidência reforçou a ligação entre o negócio e a história da família.
Mais tarde, a saúde do pai voltou a exigir atenção.
Durante uma hospitalização de seis meses e o tratamento de hemodiálise, Edgar precisou escolher onde concentrar seu tempo.
Mesmo faturando mais, a loja possuía aluguel de aproximadamente R$ 3 mil, funcionários, contador, impostos e outros custos.
A feira oferecia uma operação mais enxuta e segura.
Ao deixar terceiros responsáveis pelo empório, Edgar percebeu como sua presença ainda era importante para o funcionamento do negócio.
A experiência confirmou, em sua visão, o ditado de que “o porco só engorda com os olhos do dono”.
Sua trajetória, entretanto, não se limitou à atividade comercial.
Com o projeto Empreendedor Visionário, Edgar utilizou as redes sociais para arrecadar recursos e comprar o estoque de pequenos vendedores de rua.
As mercadorias eram distribuídas para a comunidade e as histórias ganhavam visibilidade.
Nesse processo, ele percebeu que vídeos naturais produziam mais engajamento do que conteúdos carregados de efeitos.
A verdade da situação era mais forte do que a produção excessiva.
A atuação comunitária também o aproximou da política.
Depois de apoiar voluntariamente o vereador Dandan, Edgar tornou-se seu assessor em Santo André.
A influência construída nas feiras e nas ruas passou a contribuir para uma atuação pública.
Apesar dos diferentes caminhos, Edgar considera os filhos, Giulia e Gael, sua maior riqueza.
Ao ensinar Giulia a vender limões para comprar uma boneca de R$ 120, procurou transmitir os valores que recebeu do pai.
A menina recuperou o investimento e conseguiu aproximadamente R$ 50 de lucro.
Mais importante do que o dinheiro foi o entendimento de que uma conquista possui um processo.
A história de O Menino dos Temperos mostra que o empreendedorismo pode nascer da necessidade, mas não precisa permanecer limitado a ela.
A experiência pode ser transformada em estratégia.
O apelido pode tornar-se marca.
O conhecimento cotidiano pode gerar diferenciação.
Os erros podem produzir foco.
E uma pequena banca de feira pode ensinar princípios que se aplicam a empresas de qualquer tamanho.
O conselho final de Edgar resume sua trajetória:
“Apenas comece. É melhor ter o arrependimento de ter tentado do que o peso de nunca ter feito.”
Escrito por Hugo Jordão